
Nunca nos devemos arrepender de nada que tenhamos feito … e isto porque se o fizemos ou se, pelo menos deixámos que nos acontecesse, é porque na altura sentíamos que nos devíamos isso …
Não me arrependo de nada e muito provavelmente voltaria a fazer tudo de novo, pois o que sobrou de tudo o que já vivi … é-me demasiado caro para me arrepender …
Contudo, não sou obtusa e sei que já fui por caminhos errados e já tomei as decisões menos certas …
Mas o que é certo e toda a gente a gente sabe é que p…. da vida não traz livro de instruções e se o trouxesse., com alguma probabilidade, teimosa e “nhurra”como sou, passaria ao lado e daria um jeitinho de fazer as coisas à minha maneira …
Tenho um longo e árduo caminho pela frente, mais uma vez…
E mais uma vez, não posso culpar terceiros, pois fui eu que escolhi o caminho a trilhar e apesar dos imprevistos com que não contava … quando foi hora de optar, de escolher, mais uma vez segui a minha cabeça e o meu coração …
E agora, p’ra desanuviar, um poema “ligeiramente intenso de Mário de Sá Carneiro”
Serradura
A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.
E ei-la, a mona, lá está,
Estendida, a perna traçada,
No indindável sofá
Da minha Alma estofada.
Pois é assim: a minha Alma
Outrora a sonhar de Rússias,
Espapaçou-se de calma,
E hoje sonha só pelúcias.
Vai aos Cafés, pede um bock,
Lê o <> de castigo,
E não há nenhum remoque
Que a regresse ao Oiro antigo:
Dentro de mim é um fardo
Que não pesa, mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa.
Folhetim da <>
Pelo nosso Júlio Dantas ---
Ou qualquer coisa entre tantas
Duma antipatia igual...
O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!...
Qualquer dia, pela certa,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate,
Se encontra a porta aberta...
Isto assim não pode ser...
Mas como achar um remédio?
--- Pra acabar este intermédio
Lembrei-me de endoidecer:
O que era fácil --- partindo
Os móveis do meu hotel,
Ou para a rua saindo
De barrete de papel
A gritar <>...
Mas a minha Alma, em verdade,
Não merece tal façanha,
Tal prova de lealdade...
Vou deixá-la --- decidido ---
No lavabo dum Café,
Como um anel esquecido.
É um fim mais raffiné.
Mário de Sá-Carneiro
Não me arrependo de nada e muito provavelmente voltaria a fazer tudo de novo, pois o que sobrou de tudo o que já vivi … é-me demasiado caro para me arrepender …
Contudo, não sou obtusa e sei que já fui por caminhos errados e já tomei as decisões menos certas …
Mas o que é certo e toda a gente a gente sabe é que p…. da vida não traz livro de instruções e se o trouxesse., com alguma probabilidade, teimosa e “nhurra”como sou, passaria ao lado e daria um jeitinho de fazer as coisas à minha maneira …
Tenho um longo e árduo caminho pela frente, mais uma vez…
E mais uma vez, não posso culpar terceiros, pois fui eu que escolhi o caminho a trilhar e apesar dos imprevistos com que não contava … quando foi hora de optar, de escolher, mais uma vez segui a minha cabeça e o meu coração …
E agora, p’ra desanuviar, um poema “ligeiramente intenso de Mário de Sá Carneiro”
Serradura
A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.
E ei-la, a mona, lá está,
Estendida, a perna traçada,
No indindável sofá
Da minha Alma estofada.
Pois é assim: a minha Alma
Outrora a sonhar de Rússias,
Espapaçou-se de calma,
E hoje sonha só pelúcias.
Vai aos Cafés, pede um bock,
Lê o <
E não há nenhum remoque
Que a regresse ao Oiro antigo:
Dentro de mim é um fardo
Que não pesa, mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa.
Folhetim da <
Pelo nosso Júlio Dantas ---
Ou qualquer coisa entre tantas
Duma antipatia igual...
O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!...
Qualquer dia, pela certa,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate,
Se encontra a porta aberta...
Isto assim não pode ser...
Mas como achar um remédio?
--- Pra acabar este intermédio
Lembrei-me de endoidecer:
O que era fácil --- partindo
Os móveis do meu hotel,
Ou para a rua saindo
De barrete de papel
A gritar <
Mas a minha Alma, em verdade,
Não merece tal façanha,
Tal prova de lealdade...
Vou deixá-la --- decidido ---
No lavabo dum Café,
Como um anel esquecido.
É um fim mais raffiné.
Mário de Sá-Carneiro
Pois é, nada como nos munirmos dos nossos poetas "préférés" para ultrapassarmos as fases menos boas da vida. Definitivamente, as agruras da vida fazem os mais belos poemas e, invariavelmente, trazem sempre um certo consolo à nossa Alma ferida. Surpreendemo-nos sempre como outro ser humano já sentiu e/ou passou pelo mesmo e sobreviveu para contá-lo....ou talvez não... pois, nesse sentido, os poetas não são lá muito bom exemplo! Por isso, esquece tudo o que disse até agora e fala antes com os amigos, equilibrados os desiquilibrados mas que, pelo menos, estejam vivos!!!
ResponderEliminarEstarei ao dispôr no que puder nessa longa jornada de luta........
Bjocas